Na Córsega o dia começa cedo, por isso decidimos sair da cama, metemo-nos no carro alugado e fizemos-nos à estrada. A ideia era sairmos de Cargèse, em direcção ao sul da ilha, passando pela capital Ajaccio. O veiculo motorizado que tínhamos alugado (um Renault Grand Scenic2 ao qual me recuso a chamar carro) mal conseguia subir o passeio para ser “mal estacionado”, era portanto o veiculo ideal para subir as montanhas da Córsega!!!!. Saímos do Club Med (Club Merd para os árabes que aqui trabalham) de Cargèse e metemo-nos ao caminho. Seguimos pela estrada D81 que liga Cargèse à capital Ajaccio, na zona Oeste da costa e situada no fundo do golfo de Ajaccio. Por esta estrada passámos por uma série de praias paradisíacas, com o seu mar azul turquesa e com as montanhas em fundo. Eu tentava conduzir o Renault pelas montanhas, mas tinha que optar, ou subia a montanha ou tinha ar condicionado. Optei pela montanha, porque tencionava voltar ainda no mesmo dia. Sempre que carregava no acelerador parecia que estava a fazer cócegas no motor! Após uma hora de calor, mas belas praias na retina, chegámos a Ajaccio. A capital é pitoresca, com o centro da cidade com ruas estreitas tipicamente mediterranicas. O porto com pequenos barcos, apresenta um mar límpido e calmo. Esta cidade, terra natal de Napoleão, tem como ponto forte a casa onde nasce e viveu, até sair para se dedicar a chatear meia Europa. Esta casa agora encontra-se transformada em museu, mas toda a cidade está recheada de monumentos ao pequeno-grande Homem.
Depois de Ajjacio, seguimos mais para sul pela N196 e continuei tentar conduzir fazendo mais cócegas no motor, o veiculo parecia que tinha vontade própria, porque quando eu acelerava, ele esperava 30 segundo e só depois fingia que aumentava a velocidade, O bandido!. No entanto a bela paisagem que cruzávamos valia o esforço. Após mais cerca de 40 km de cocegas no veiculo, chegamos a Propriano (Pruprià em corso). Esta bela cidade, situada no Golfo de Valinco, tem as suas casas em estilo genovês de cor rosa claro e um belíssimo Porto com pequenos barcos tipicos. Na zona velha da cidade descobri um bar/restaurante Corso de nome “Tempi Fa”, onde bebemos um “Domain Stiliccionu Artica 2009” e um “Domain Pratavone Guillaume 2007” ambos excelelentes a acompanhar uma “Salade de Poulpe à Lórange et Gerbetes Corse” e um “Peche du Golfe on Carpaccio, huile d’olive du domaine marfisi et noisette salinu di Gervione”. Depois desta excelente refeição, metemo-nos de novo no veiculo das cócegas, e seguimos agora mais para o interior ainda pela N196, na direcção da montanha. Mais 10 minutos de caminho subindo a montanha e chegámos a Sartène. Pequena povoação medieval do sec XVI, belíssima, com o casario em Pedra situada de uma montanha e que durante séculos (até ao sec XVIII) foi vitima dos piratas da Argélia. Também nesta povoação, descobri um belo bar Corso de nome “U Palazzo”, onde se pode degustar excelentes queijos, enchidos e vinhos.
Enfim já chegava de Córsega profunda por um dia, e tendo em conta o tempo que o veiculo das cócegas demoraria e percorrer o caminho de volta, era tempo de regressar. Mais duas horas de regresso alternando por entre montanhas e praias. No final da viagem aprendi mais um lição: Córsega sim, mas em carros de jeito!
João Pinga, Córsega, 1 Set. 2010
A descrição do carro das cócegas é maravilhosa!!! Tenho que te dizer que o nosso super-fiesta ultra-potente se portou muito melhor nas montanhas da Sardenha. Depois hás de explicar esse fenómeno das duas garrafas de vinho numa só refeição a meio de um dia de estrada... :)
ResponderEliminarps: o perfil é MJG mas quem escreve é o RG!
Caro RG, Para que se saiba eu só degustei o vinho (bebi e cuspi)!!!!
ResponderEliminarUm abraço