Quando observamos arte como na vida, frequentemente verificamos que existem diversos níveis de interpretação. Muitas vezes só nos apercebemos disso à medida que o tempo passa ou à medida que nos aproximamos (!). Exemplo disto é a excelente exposição retrospectiva do artista plástico Vik Muniz patente no Museu Berardo no CCB. As obras expostas, compostas em materiais como geleia, linha de coser, arames, diamantes e chocolate entre outros, permitem pelo menos dois níveis de leitura. Um quando observamos as obras à distancia como um todo e outro (ou outros) quando observamos de perto ao nível do pormenor. Mostra composta por cerca de cem de trabalhos datados desde 1980 até aos dias de hoje, e que vai ser possível ver até ao final deste ano. Esta original exposição patente pela primeira vez na Europa, já passou pelo MoMA de Nova Iorque, pelo México, Canadá e Brasil, onde foi a exposição mais vista de sempre de um artista brasileiro, com cerca de 100 mil visitantes no Rio de Janeiro e 200 mil em São Paulo. Vik Muniz, nasceu em São Paulo em 1961 e tem desenvolvido o seu trabalho nas áreas da fotografia, desenho, pintura e gravação. Estudou publicidade na Fundação Armando Álvares Penteado, em São Paulo. Radicado desde 1983 em Nova Iorque, explora nas suas obras materiais menos habituais, como o açúcar, chocolate líquido, leite condensado, molho de tomate, gel para o cabelo, lixo e terra. Em 2011, o seu filme Lixo Extraordinário, que fez sobre a vida dos apanhadores de lixo de um Aterro Sanitário no Rio de Janeiro, foi um dos cinco nomeados para os Óscares na categoria de Melhor Documentário.

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